quinta-feira, 29 de setembro de 2022

A HISTÓRIA DE ÁGUA BRANCA

Até meados do século XVIII, o território de Água Branca fazia parte da sesmaria de Paulo Afonso, que à época era Província de Alagoas conhecida pela denominação de Mata Grande, de propriedade do sertanista Paulo Viveiros Afonso que recebeu por Alvará Real de 03 de outubro de 1725, uma área territorial imensa que compreendiam os atuais municípios de Mata Grande, Piranhas, Delmiro Gouveia, Olho D’água do Casado, Pariconha, Inhapi, Canapi.

Divisão politica das cidades da Província de Alagoas em 1872

Sua fundação se deve a três irmãos portugueses da família Vieira Sandes: Faustino Vieira Sandes, José Vieira Sandes e João Vieira Sandes, naturais do Arquipélago dos Açores, em Portugal. Os irmãos saíram do Vale de Itiúba, povoação à margem do São Francisco, atualmente pertencente ao Município de Porto Real do Colégio (AL), e de Boacica, atualmente pertencente ao Município de Igreja Nova (AL), e seguiram rumo ao sertão alagoano com objetivo de desenvolver a região com implantação de fazendas, criação de gado e construção de vilas. Chegando na região da sesmaria de Paulo Afonso, fundaram a povoação. Para diferenciar de Mata Grande, foi denominado de Mata Pequena, Matinha de Água Branca ou Mata de Água Branca. O topônimo Água Branca originou-se de um conjunto de fontes naturais com águas límpidas e cristalinas existentes na região. Faustino Vieira Sandes, capitão da Guarda Nacional Imperial, foi o primeiro desbravador do Município de Água Branca. Imigrante português, nasceu em 1680 e faleceu em 1760, aos 80 anos. Teve três filhos: João Vieira Sandes (mesmo nome do seu irmão), Faustino Vieira Sandes (com seu mesmo nome) e José Vieira Sandes (mesmo nome do seu irmão). Nas famílias da época, era comum a repetição ou semelhança de nomes para identificar a origem genealógica de seus ancestrais nas futuras gerações.

Engenho de Rapadura em Água Branca ano 1921

Atraídos não só pelas boas pastagens que podiam oferecer a zona da caatinga, mas também principalmente pela riqueza da região serrana, as propriedades compreendidas na sesmaria foram arrematadas em leilão em 1769, na cidade de Recife (PE), pelo capitão Faustino Vieira Sandes (filho), que já estava de posse das terras por arrendamento. Com o decorrer dos anos, o comércio local foi se desenvolvendo com a criação de gado, engenhos, produtos da cana de açúcar, algodão e por grandes feiras de gado, peles e iguarias, fomentando a cadeia produtiva e o desenvolvimento local. Todos esses atrativos fizeram com que outros fazendeiros de diversos estados brasileiros, visitassem a região e alguns se instalassem na localidade.

No início da povoação, a família Vieira Sandes se instalou nas planícies da caatinga do sertão com o objetivo de criar gado, desbravando as fazendas Matinha, Boqueirão, Cobra, São Bento, Paraíso e Pedra. Aos poucos, se expandiram para a parte alta da região, construindo a Vila de Água Branca ao centro dos vales serranos adjacentes à Serra da Charneca, à Serra do Mulungu, Central, à Serra da Tatajuba, à Serra dos Gonçalves, à Serra do Canto, à Serra do Paraíso, à Serra do Mulungu, pelo lado oposto, e à Serra do Paraíso. No total, quatro vales distintos caracterizam a cidade de Água Branca e seus acidentes geográficos.

Em 1770, foi construída pelo Major Francisco Casado de Melo, a primeira igreja em plena mata equidistante de três núcleos de povoamento: Várzea do Pico, Olaria e Boqueirão. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário funcionou como principal edifício religioso da região até a construção da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição.

Igreja Nossa Senhora do Rosário em 1938

No início do século XIX, as famílias Teodósio, Vieira, Viana e Félix iniciaram a povoação de Pariconha, se estabelecendo com a agricultura, pecuária e principalmente, com a criação de animais de pequeno porte. Segundo conta a história local, um ouricurizeiro cujos frutos continham duas conhas como eram chamadas as polpas desses frutos, deu origem ao nome da cidade, que era conhecida inicialmente como ‘Par-de-Conha’ e, depois, simplificado para Pariconha. Fixando numa localidade denominada “Povoado Caraibeiras dos Teodósios”, às margens do Rio Moxotó, a família Teodósios até hoje tem lá seus descendentes. Já o restante das famílias colonizadoras da região se estabeleceu no local onde hoje está a sede do município. Anos após a chegada desses primeiros colonizadores, um grupo da tribo de índios Jaripancós, originários do Município de Tacaratú (PE), mais precisamente de uma localidade chamada “Brejo dos Padres” instalou uma aldeia na Serra do Ouricuri, nas proximidades da povoação.

A história registra como fato importante a visita do Imperador Dom Pedro II, acompanhado por uma comitiva e também pela imperatriz Thereza Cristina, à Cachoeira de Paulo Afonso, datada de 20 de outubro de 1859, sendo assinalada em um marco de bronze que foi erguido no local próximo à Usina Angiquinho. Em seu Diário de Viagem, Dom Pedro II relata que visitou as localidades do Baixo do São Francisco, dentre elas, cita especificamente sobre Água Branca. Major Calaça, que era do município de Penedo, se mudou para Água Branca para se dedicar ao comércio e à criação de gado. Profundo conhecedor da região, o Major Calaça serviu de guia para o imperador. As informações acerca da flora e da fauna da região, fornecidas pelo Major, muito impressionou Dom Pedro. Em seu Diário, Dom Pedro II diz: “Já me estava vestindo, tendo acordado antes das 4, e às 4 e 37’ partimos dos Olhos d’Água para o Talhado, fazenda de gêneros alimentícios e algum gado que chamam por aqui, major Calaça [sic], que parece muito curioso de agricultura, possuindo na povoação de Água Branca, 6 léguas do Talhado, um sítio com muitas frutas, e entre elas uma banana que não conhecia, chamada dente-de-porco. As atas, ou pinhas, não têm fruto agora como sucede ao umbuzeiro de que o Calaça me mostrou um pé no caminho e abunda nestas paragens principalmente na mata de Água Branca. As atas, ou pinhas, não têm fruto agora como sucede ao umbuzeiro de que o Calaça me mostrou um pé no caminho e abunda nestas paragens principalmente na Mata de Água Branca”.

A filha do capitão Faustino Vieira Sandes (filho), Gertrudes Maria da Trindade, nascida no povoado Boqueirão, se casou com o pernambucano Theotônio Vitoriano de Siqueira Torres. Gertrudes Maria teve dez filhos, dentre eles, Joaquim Antônio de Siqueira Torres que nasceu em 1808. Joaquim Antônio era um homem de muitas posses, grande latifundiário, senhor de extensas fazendas, muitas cabeças de gado, bens diversos.

Inscrição na fachada da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição

Por conta disso, ocupava posição privilegiada politicamente, assumindo cargos importantes na sociedade como capitão-mor e tenente-coronel da Guarda Nacional.

Em 1º de junho de 1864, foi criada a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição, subordinada eclesiasticamente à Diocese de Penedo pela Lei nº 413. O então capitão-mor Joaquim Antônio de Siqueira Torres doou um terreno e bancou toda a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, gastando boa parte de sua fortuna para a construção do templo religioso, que foi concluída em 1871.

Praça da Matriz em 1919
Praça da Matriz em 1919

 

Rua Barão de Água Branca em 1919

 

 

 

 

 

Em 1872, a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Água Branca tinha uma população de 5.730 indivíduos, sendo que 5.399 eram livres e 331 escravizados. Somente 247 “cidadãos” podiam votar.

Através da Resolução Provincial n. 681, em 24 de abril de 1875, Água Branca se emancipou desmembrando de Paulo Afonso e elevou a povoação para a categoria de Vila de Água Branca.

Estação de Pedra – Linha Férrea de Paulo Afonso

O vilarejo de Pedra se constituiu a partir da construção da Linha Férrea Paulo Afonso – Estação Pedra km 54,4, em 10 de julho de 1882. A denominação Pedra foi em razão de grandes rochas que existiam junto da estação. Era considerada uma povoação muito florescente. A Linha Férrea Paulo Afonso, teve trajeto inicial em Piranhas (AL) com destino final em Jatobá, atual Petrolândia (PE). Foi construída por ordem do Imperador Dom Pedro II, após viajar pelo Rio São Francisco e visitar a Cachoeira de Paulo Afonso em 1859. A intenção do Imperador era com que a linha férrea pudesse ligar, por ferrovia, o Baixo e o Alto São Francisco com o propósito integrar regiões e contribuir com o desenvolvimento regional, transportando pessoas e mercadorias, além de sua construção contratar mão de obra sertaneja e assim atenuar as consequências de secas que levavam a fome e morte milhares de sertanejos. Em 1903, a Linha Férrea foi arrendada à Companhia Great Western of Brasil Railway. Em 1964, foi desativada, existindo apenas o leito onde ficavam os trilhos, um tesouro deixado pelos ingleses dentro da caatinga do Sertão de Alagoas há mais de 100 anos.

No início do Governo Republicano em 1893, por divergências políticas entre o governador Gabino Suzano de Araújo Besouro e líderes políticos locais, o governador determinou a mudança da sede da Vila de Água Branca para a povoação da Vila do Capiá (hoje povoado Várzea do Pico), através do Ato Legislativo n. 35 de 30 de maio de 1893, para demonstrar força no município e prestigiar seus correligionários.

Na Vila do Capiá, durante muitos anos eram realizadas grandes feiras e corridas de gado, uma das maiores da região. A localidade também servia de ponto de pouso para as boiadas que vinham dos sertões pernambucanos e baianos, antes de seguirem viagem em direção a Maceió (AL) e Viçosa (AL). A localidade também apresentava atividades comerciais e uma capela dedicada a Santo Antônio. Não durou muito tempo, com afastamento do governador Gabino Besouro, foi sancionada a Lei n. 74 de 1° de junho de 1895, que logo devolveu definitivamente a sede para a Vila de Água Branca.

Coronel Ulysses Vieira de Araújo Luna

Delmiro Augusto da Cruz Gouveia

Em 1902, chegou à região vindo de Recife (PE), o cearense Delmiro Augusto da Cruz Gouveia, após ter criado desavenças políticas e comerciais com os pernambucanos. Delmiro foi recebido calorosamente pelas famílias Torres e Luna, que dividiam o domínio sobre as terras na região. Delmiro ficou hospedado na Fazenda Cobra do Coronel e Senador Estadual, Ulysses Vieira de Araújo Luna. Em 1903, se estabeleceu em uma fazenda que denominou de Rio Branco, às margens da Ferrovia Paulo Afonso perto do vilarejo de Pedra, pertencente ao município de Água Branca. Delmiro concentrou seu comércio em couros de bovinos e peles de caprinos, construindo currais, açudes e curtumes. Com apoio dos irmãos Rossbach, firmou parceria com dois sócios italianos, Lionell Iona e Guido Ferrado, fundando a firma Iona&Cia, com sede em Maceió (AL). Fomentou o plantio de algodão para a própria indústria, criou a unidade de litografia para a confecção de rótulos comerciais, abriu estradas de rodagem em vários municípios, introduzindo os primeiros automóveis na região.

No dia 31 de julho de 1907, o governador de Alagoas, Euclides Vieira Malta e sua comitiva estiveram no vilarejo de Pedra para conhecer a Cachoeira de Paulo Afonso. Euclides, dormiu na fazenda de Delmiro Gouveia e no dia seguinte, visitou a cachoeira. Um almoço foi oferecido no local por Delmiro Gouveia, e logo após, retornaram para o vilarejo de Pedra. No dia seguinte, 2 de agosto, a delegação governamental viajou a cavalo para Água Branca. A recepção e o almoço aconteceram na casa do senador Coronel Ulisses Luna. Antes, o governador visitou a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição e algumas escolas do município.

Usina Angiquinho em 1921

Em 26 de janeiro de 1913, Delmiro Gouveia impulsiona a eletrificação nordestina e inaugura a Usina de Angiquinho, com 1.500HP e 3KV de voltagem, geradores alemães e suíços em terras do Município de Água Branca. Desta forma, Delmiro Gouveia com grande capacidade de trabalho, conseguiu instalar no vilarejo de Pedra, luz elétrica e água canalizada vindos da Cachoeira de Paulo Afonso. Delmiro ficou conhecido como “o pioneiro” por ter construído a primeira usina hidrelétrica da Região Nordeste e a segunda do Brasil, com água captada na Cachoeira de Paulo Afonso, utilizando tecnologia suíça e alemã e capital norte-americano.

Fábrica de Linha da Pedra e seus operários no Vilarejo Pedra, em Água Branca

 

Em 06 de junho de 1914, Delmiro instalou uma fábrica de linha com o nome de “Companhia Agro Fabril Mercantil” (conhecida como Fábrica da Pedra) e a Vila Operária, com cerca de 200 casas de alvenaria, atraindo para a região muitos moradores e trazendo desenvolvimento para região. A fábrica proporcionou muitos empregos. O vilarejo de Pedra (ou Vila Operária como ficou conhecida) dispunha ainda de telégrafo, telefone, tipografia, capela, cinema, lavanderias, fábrica de gelo, grandes armazéns de depósitos e escola para crianças e adultos.

Fábrica de Linha da Pedra no Vilarejo de Pedra, em Água Branca

 

No dia 10 de outubro de 1917, Delmiro Gouveia estava na varanda de seu chalé, perto da Fábrica da Pedra, quando foi assassinado com três tiros. No mesmo ano, aconteceu a construção de uma Capela no vilarejo de Pedra, a pedido de Mariêta Ionas, esposa do italiano Lionelo Ionas, sócio de Delmiro Gouveia que, por devoção, desejava construir uma capela dedicada à Nossa Senhora do Rosário. A construção da Capela ocorreu com financiamento direto da Fábrica de Pedra. Em 1918, a Capela foi inaugurada e logo passou a celebrar cerimônias religiosas na localidade. A imagem de Nossa Senhora do Rosário, foi trazida da Itália e chegou ao vilarejo de Pedra, no trem Maria Fumaça que existia na época. A Capela pertenceu, em seu aspecto administrativo, pastoral e territorial, à Paróquia de Nossa Senhora da Conceição em Água Branca, até 30 de março de 1951, quando foi criada a Paróquia Nossa Senhora do Rosário.

Ao fundo, Capela Nossa Senhora do Rosário no Vilarejo de Pedra, em Água Branca ano de 1929

Em 02 de junho de 1919, através da Lei nº 805, a Vila de Água Branca passou para à categoria de Cidade de Água Branca. Em homenagem ao empreendedor Delmiro Gouveia, a vila operária passou a ser conhecida como “Pedra de Delmiro Gouveia” que passou a se tornar Distrito de Pedra através do decreto Lei nº 846 de 01 de novembro de 1938 da Intervenção Federal.

No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o Município de Água Branca é constituído de dois distritos: Água Branca e Pedra. Pelo decreto-lei estadual nº 2909, de 30 de dezembro de 1943, o Distrito de Pedra passou a denominar-se Delmiro. Em divisão territorial datada de 1 de julho de 1950, o Distrito de Delmiro figura no Município de Água Branca.

A Lei nº 1628, de 16 de junho de 1952, de autoria do água-branquense e deputado estadual, Mário Fernandes Torres, sancionada pelo governador Arnon de Mello, desmembra do Município de Água Branca, o Distrito Delmiro, elevado à categoria de Município com a denominação de Delmiro Gouveia, sendo instalado somente em 14 de fevereiro de 1954. A Vila da Pedra, antes de se emancipar como cidade, passou 77 de anos de sua administração (1875-1952) subordinada ao Município de Água Branca.

Em 25 de novembro de 1947, teve início a construção da Igreja Sagrado Coração de Jesus, no povoado Pariconha. A obra foi iniciativa do bispo de Penedo (AL), Dom Fernando, que, ao vir celebrar uma missa na comunidade, observou que a igrejinha existente era muito pequena para a quantidade de católicos do localidade. A iniciativa contou apoio do Padre Epifânio Moura, pároco de Água Branca. A obra da Igreja Sagrado Coração de Jesus foi concluída em 20 de abril de 1950.

Centro do Distrito de Pariconha, em Água Branca ano de 1967

Em 01 de maio de 1962, através da Lei 2.240, foram criados o Distrito Judiciário de Pariconha e seu Cartório de Registro Civil. Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1963, o Distrito de Pariconha figura no Município de Água Branca, assim permanecendo em divisão territorial de 1º de julho de 1983.

Em 05 de outubro de 1989, Pariconha foi elevado à categoria de Município se desmembrando de Água Branca pelo artigo 41, inciso III, do ato das disposições constitucionais transitórias da Constituição Estadual, mas foi suspensa por liminar na justiça. A sua emancipação definitiva ocorreu em 07 de abril de 1992, após o projeto de emancipação ser aprovado na Assembleia Legislativa de Alagoas. Sua instalação permanente só aconteceu em 01 de janeiro de 1993. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

A ADMINISTRAÇÃO

Em 1876, Domingos da Cunha Filgueira foi eleito como presidente da Câmara Municipal. Em 1891, Plínio José Vieira Sandes foi eleito como intendente municipal. Já em 1894, José Antônio de Araújo foi o intendente municipal. Em 1898, foram eleitos o Coronel Ulisses Vieira de Araújo Luna para o cargo de intendente e Genésio Vieira de Araújo Luna para vice-intendente. De 1909 a 1910, o intendente municipal foi José Corrêa de Figueiredo, e o vice intendente foi Possidônio Vieira Sandes. De 1911 a 1912, o intendente municipal foi José Correia de Figueiredo, e o vice intendente foi Juvenal Correia Cerpa. De 1913 a 1914, o intendente municipal foi Pedro Vieira Lima e o vice-intendente foi Possidônio Vieira Sandes. De 1915 a 1917, o intendente foi Coronel Antônio Soares Vilella, e o vice-intendente foi Levino José Corrêa. Em 1918, o intendente foi Germiniano Vieira Sandes, e o vice-intendente foi Manoel Bezerra Carlos. Em 1921, Gervásio Teixeira Lima foi o intendente municipal.

Relação dos ex-prefeitos e seus períodos

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Prédio da Prefeitura Municipal em 2022

O prédio da Prefeitura Municipal, que antes se chamava Intendência (Palácio do Governo Municipal), construído em 1919, representa a política local quando a Vila de Água Branca passou à categoria da cidade.

Todos os serviços públicos destinados à população funcionaram neste local, inclusive a Câmara Municipal de Vereadores. A estrutura do prédio era de taipa. Em 1938, antes de ser exposta na Praça do Rosário, as cabeças de Lampião e seu bando de cangaceiros foram levadas para o prédio da intendência. Hoje, totalmente reformado, continua sendo a sede administrativa do Poder Executivo.

O BARÃO E BARONESA

Joaquim Antônio de Siqueira Torres, o Barão de Água Branca

Joaquim Antônio de Siqueira Torres nasceu no dia 08 de dezembro de 1808 e faleceu no dia 29 de janeiro de 1888, aos 79 anos. A causa da morte consta como lesão cardíaca, de acordo com sua Certidão de Óbito Nº 11, do Arquivo Paroquial de Água Branca. É filho de Theotônio Vitoriano de Siqueira Torres e Gertrudes Maria da Trindade Vieira Sandes, e neto de um dos desbravadores do município, o capitão Faustino Vieira Sandes.

Fez-se um próspero empresário atuando na agropecuária e no comércio, o que lhe rendeu a projeção para ser indicado como chefe político do Partido Liberal e assumir o comando da Guarda Nacional no município, ocupando o posto de capitão e depois de tenente-coronel.

Seu primeiro casamento foi com sua prima, Joaquina Vieira Sandes com quem teve três filhos. Joaquina é filha de Antônio Vieira Sandes e Luiza Vieira Sandes, e neta de José Vieira Sandes e João Vieira Sandes, filhos do capitão Faustino Vieira Sandes (filho). Joaquina faleceu precocemente.

Viúvo, Joaquim Antônio teve um romance com uma moça de uma tradicional família pernambucana chamada de Magalhães, do município de Serra Talhada (PE), com quem teve um quarto filho que se tornou padre.

Joana Viera Sandes, a Baronesa de Água Branca

Em 1841, o tenente-coronel Joaquim Antônio de Siqueira Torres exercia o cargo de Juiz de Paz de Água Branca.

Seu segundo matrimônio foi realizado em 19 de maio de 1849, com sua prima e cunhada, Joana Vieira Sandes (irmão de Joaquina) que logo mais se tornou a Baronesa de Água Branca. Joana nasceu no dia 30 de dezembro de 1830 na Fazenda Matinha em Água Branca. A cerimônia de casamento foi celebrada pelo reverendo Manoel do Nascimento Bruno Wanderley, no povoado Boqueirão em Água Branca. Dessa união, nasceram oito filhos.

Brasão de Armas Barão de Água Branca

Em 1864, Joaquim Antônio de Siqueira Torres doou o terreno e bancou toda a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Avalia-se que gastou na obra, cerca de quatrocentos mil contos de réis, alto

Decreto Imperial que concede o título de Barão a Joaquim Antônio de Siqueira Torres. Documento original se encontra no Arquivo Público Nacional no RIo de Janeiro (RJ).

valor para a época, parte considerável de sua fortuna dada para erguer um dos mais belos templos do país, e assim se tornou um dos maiores feitos. Esse desprendimento foi reconhecido pelo imperador D. Pedro II, que lhe concedeu, pelo Decreto Imperial de 15 de novembro de 1879, o título de Barão de Água Branca.

Além disso, em 19 de dezembro de 1884 foi agraciado com o honroso título de Comendador da Ordem de São Gregório Magno pelo Papa Leão XIII, através da visita do bispo de Olinda (PE), Monsenhor D. José Pereira da Silva Barros em setembro de 1883, que ao visitar Água Branca, presenciou a construção da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição exclusivamente às expensas do Barão. Logo, o bispo levou ao conhecimento da Santa Sé que o distinguiu com a comenda em reconhecimento de seus serviços, feitos notáveis e ao bom exemplo dado à sociedade.

Em 26 de junho de 1922, a baronesa Joana Vieira Sandes teve a sua residência saqueada pelo grupo de cangaceiros liderado por Virgulino Ferreira da Silva (Lampião).

Altar da Igreja Matriz onde estão sepultados Joaquim Antônio de Siqueira Torres (esquerda), Cícero Joaquim de Siqueira Torres (centro), e Joana Vieira Sandes (direita).

Joana estava com um de seus filhos. Caduca, passava o dia numa marquesa de frente ao seu rosário de ouro de uma vara. Lampião só não levou as baixelas de prata, mas roubou tudo que era de ouro, brilhantes joias de raro valor, pedras preciosas, rosário e um medalhão de ouro maciço com resplendor articulado e corrente grossa de dois metros de comprimento. Um balanço estimado do prejuízo em cem contos de réis, valor de vinte automóveis novos. A Baronesa Joana Vieira Sandes faleceu no dia 27 de dezembro de 1923, com 93 anos de idade.

Os corpos do Barão e da Baronesa de Água Branca estão enterrados na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, junto com seu filho padre Cícero Joaquim de Siqueira Torres e demais familiares.

OS FILHOS DO BARÃO E DA BARONESA

Em pé, da esquerda para a direita, os filhos da Baronesa: Miguel Archanjo de Siqueira Torres, Antônio Vieira de Siqueira Torres, Luiz Vieira de Siqueira Torres, Alexandre Vieira de Siqueira Torres. Sentada: Joana Vieira Sandes, Baronesa de Água Branca.

 

*SEVERINO POMPEU DE SIQUEIRA TORRES

Filho do Barão com Joaquina, a primeira esposa. Foi casado com uma jovem chamada Dona Rosa. Severino foi assassinado por vingança em uma emboscada planejada por um escravizado em 10 de maio de 1876.

*JOANA DE SIQUEIRA TORRES

Filha do Barão com Joaquina, a primeira esposa. Joana faleceu solteira.

*MINERVINA DE SIQUEIRA TORRES

Filha do Barão com Joaquina, a primeira esposa. Minervina faleceu solteira.

– JOAQUIM ANTÔNIO DE SIQUEIRA TORRES (MESMO NOME DO PAI)

Fruto de um romance de Joaquim Antônio (pai) quando estava viúvo, com uma moça de uma tradicional família pernambucana chamada de Magalhães, do município de Serra Talhada (PE), Joaquim Antônio de Siqueira Torres (filho) é conhecido como Padre Quincas, Cônego Torres ou Padrinho Vigário. Nasceu em 1842. Joaquim Antônio foi levado pelo tio vigário Miguel Archanjo Torres (irmão do Barão) para estudar no Seminário de Mariana, em Minas Gerais. Foi ordenado padre e retornou ao sertão nordestino, onde seria designado vigário de Leopoldina, atual Parnamirim (RN) e Salgueiro (PE). Em 10/02/1884, assumiu efetivamente a Paróquia de Nossa Senhora da Penha em em Serra Talhada (PE), onde permaneceu até 01/06/1892, exercendo neste período a função de Vigário Geral, com jurisdição sobre párocos sertanejos, visto que a Sede Diocesana em Olinda ficava muito distante. A população local tinha bastante carinho e apreço por sua figura. Cônego Torres se empenhou bastante na conclusão da obra da Igreja Matriz da Penha, inaugurada em 1893. Esse novo templo católico com duas torres e arquitetura bastante rústica foi posteriormente demolido para construção da atual matriz. Faleceu na cidade do Recife, aos 76 anos, na residência de Antônia Parente de Godoy, sua afilhada esposa do Dr. Sergio Magalhães e mãe do ex-governador Agamenon Magalhães.

# MISSENO DE SIQUEIRA TORRES 

Filho do Barão e da Baronesa. Se dedicou ao comércio e a criação de gados. Faleceu solteiro em 28 de outubro de 1880 aos 28 anos de idade.

# CÍCERO JOAQUIM DE SIQUEIRA TORRES

Filho do Barão e da Baronesa. Foi vigário colado à Paróquia de Água Branca, onde prestou inúmeros serviços. Celebrou sua primeira missa na Igreja feita pelo seu pai, a Matriz Nossa Senhora da Conceição.

# MIGUEL ACHANJO DE SIQUEIRA TORRES

Miguel Archanjo de Siqueira Torres em pé, a quinta pessoa da esquerda para direita, e sua família.

Filho do Barão e da Baronesa. Foi Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, promotor público, professor, e Juiz de Direito da comarca de Água Branca. Se casou com Stella Fernandes Torres, família tradicional do Município de Penedo (AL).

Uma de suas filhas, América Fernandes Torres, nasceu em Água Branca no dia 10 de novembro de 1905. América se destacou no município como professora primária e diretora do Grupo Escolar de Água Branca. Em 1965, foi escolhida para comandar sua terra, sendo a primeira mulher eleita prefeita do Estado de Alagoas. Faleceu em Água Branca no dia 12 de março de 1988.

Um de seus filhos foi também Mário Fernandes Torres, que nasceu em 10 de abril de 1917 e faleceu em 02 de novembro de 2012. Mario foi prefeito de Água Branca de 1946 a 1950. Em 1951 foi deputado estadual com mandato até 1956. Como parlamentar, um de seus projetos de lei foi a emancipação do Município de Delmiro Gouveia, que veio a ser aprovado como Lei n° 1623 de 16 de julho de 1952, desmembrando-o de Água Branca. Casou-se com sua prima Berenice Luna Sandes com quem teve dez filhos.

Outro filho de Miguel Archanjo, foi José Fernandes Torres, que se casou com Iracema Vilar Torres, nascida em Mata Grande (AL) e filha de Linduarte Batista Vilar. José Fernandes Torres e Iracema Vilar Torres tiveram os seguintes filhos: Carlos Vilar Torres; Roberto Vilar Torres (29/08/1938 – 04/02/2021); José Humberto Vilar Torres (Zeca Torres); Gilberto Vilar Torres; Mário Augusto Vilar Torres (nasceu em 02/12/1944); José Clóvis Vilar Torres (1948 – 06/09/1964); Maria das Graças Vilar Torres (07/04/1948); Fernando José Torres, (17/01/1952); Maria de Fátima Vilar Torres (24/01/1955); e Wilson Vilar Torres (31/01/1953 – 06/01/2020).

Roberto Vilar Torres, neto de Miguel Archanjo, nasceu em Água Branca em 29 de agosto de 1938 e faleceu em 04 de fevereiro de 2021. Foi empresário do setor agropecuário, iniciou a vida pública como prefeito de Água Branca em 1961 até 1967, e 1971 até 1975. Foi deputado estadual em 1979 a 1987, 1995 a 1996, chegou a presidir a Assembleia Legislativa (ALE) e por prerrogativa do cargo, assumiu o Governo do Estado em diversas vezes. Foi deputado federal de 1987 a 1995, renunciou em 1996 para assumir o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas de Alagoas (TCE-AL), chegou à vice-presidência do órgão e também exerceu a função de ouvidor até 2008. Graduado em direito pelo Centro de Ensino Superior de Maceió e ao longo da vida pública foi consultor jurídico da Assembleia Legislativa de Alagoas. Casado com Maria José Marques Torres, Roberto Torres teve quatro filhos.

José Humberto Vilar Torres, neto de Miguel Archanjo, é conhecido como Zeca Torres. Nasceu em Água Branca, foi eleito deputado estadual em 1986 e reeleito em 1990.

Wilson Vilar Torres, neto de Miguel Archanjo, nasceu em 31 de janeiro de 1953, e faleceu em 06 de janeiro de 2020. Foi eleito prefeito de Água Branca no período de 1989 a 1992. Dedicou sua vida profissional como cirurgião-dentista, sendo referência em toda a região.

# MANOEL VIEIRA DE SIQUEIRA TORRES

Filho do Barão com a Baronesa. Faleceu solteiro.

# ANTÔNIO VIEIRA DE SIQUEIRA TORRES

Filho do Barão e da Baronesa, nascido em 30/01/1859. Foi Engenheiro Geógrafo e Civil diplomado pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, prestou relevantes serviços de engenharia gratuitamente por muitos anos aos munícipes e a Paróquia de Água Branca. Como também prestou diversos serviços em vários estados, dentre eles, foi engenheiro de 1ª classe na construção das estradas de ferro da Central de Pernambuco, Baturité no Ceará, no Sul do Espírito Santo e da Central do Brasil (Estrada de Ferro D. Pedro II) de 1889 a 1897. Foi Coletor Federal em Água Branca de 04/08/1921 até se aposentar em 27/02/1935. Teve passagem pela política sendo eleito senador estadual de 1929 a 1930. Antes, em 1916, seu nome é citado como o presidente do Conselho Municipal de Água Branca. Foi casado com uma jovem cearense chamada Francisca Liberato Barroso. Com ela, teve 12 filhos.

# ALEXANDRE DE SIQUEIRA TORRES

Foi o único filho do Barão e da Baronesa que, apesar de toda insistência dos pais, não cursou faculdade. Conhecido como Capitão Xandú, se dedicou ao comércio e a criação de gados. Ocupou ainda o posto de Capitão da Guarda Nacional. Foi um dos fundadores da Banda de Música Santa Cecília em 22 de novembro de 1922. Foi casado com sua prima Amélia Vieira Luna, filha de Luiz Vieira Sandes (irmão da baronesa), com quem teve três filhos: Joana de Siqueira Torres (Yaiá), Pancrácio de Siqueira Torres e Misseno de Siqueira Torres. Residiu por muitos anos em um casarão construído em 1918, localizado no Sítio Tatajuba. Após seu falecimento, esse bem patrimonial ficou para um de seus filhos, Misseno de Siqueira Torres, que é casado com Maria Leonor Luna Torres, filha do Coronel Ulysses Vieira de Araújo Luna e de Francisca de Barros Loureiro.

# LUIZ VIEIRA DE SIQUEIRA TORRES

Filho do Barão e da Baronesa, nascido no dia 15 de maio de 1864. Foi engenheiro agrônomo, e se casou com Cecília Dourado do estado da Bahia. Foi um dos filhos do Barão que alcançou maior projeção política. Foi eleito deputado estadual nas legislaturas 1897-1898; 1899-1900; 1915-1916 e 1919-1920. Depois foi eleito senador estadual, de 1921 a 1922. Em abril de 1924 tomou posse como senador federal, ao mesmo tempo que era escolhido vice-governador do Estado na chapa vitoriosa de Costa Rego, que comandou Alagoas de 12 de junho de 1924 a 7 de junho de 1928. Renunciou ao mandato de senador para assumir o cargo de vice-governador e foi substituído em 21 de outubro de 1924 por José Fernandes de Barros Lima. Faleceu no dia 10 de junho de 1928, três dias após concluir o mandato.

# BLANDINA VIEIRA DE SIQUEIRA TORRES

Sem informações.

FAMÍLIA VIEIRA SANDES

FAUSTINO VIEIRA SANDES (FILHO)

Recebeu o mesmo nome do pai capitão Faustino Vieira Sandes, o primeiro desbravador do município. Nascido em Boa Cica, sertão de Penedo (AL). Na época, as feiras de gado eram constantes e atraíram fazendeiros e criadores da região. Nas viagens de negócio, conheceu uma jovem de nome Maria da Conceição, que residia em uma fazenda em Floresta (PE), denominada de Panela d’Água. Pensando em constituir família, Faustino resolveu casar-se com Maria da Conceição. Desse casal, nasceram oito filhos: Gertrudes Maria da Trindade (mãe do Barão de Água Branca), Antônia Vieira Sandes, Joaninha Vieira Sandes, Rosa Vieira Sandes, Maria Vieira Sandes, Faustino Vieira Sandes (neto), Berto Vieira Sandes e Figueiredo Vieira Sandes.

JOSÉ VIEIRA SANDES

Filho do capitão Faustino Vieira Sandes. Quando solteiro, viajava sempre à capital pernambucana, Recife (PE), com o objetivo de realizar negócios. Lá, conheceu uma moça de nome Francisca, que pediu em casamento. Com ela, teve seis filhos: Aleixo Vieira Sandes, Manoel Madeira Vieira Sandes, Luiza Vieira Sandes, Caetana Vieira Sandes, Francisca Vieira Sandes e Mariana Vieira Sandes.

JOÃO VIEIRA SANDES

Filho do capitão Faustino Vieira Sandes. Se casou no povoado Boqueirão em Água Branca, com uma moça que se chamava Leonor. Desse casamento, nasceram três filhos: Antônio Vieira Sandes, José Vieira Sandes (mesmo nome do seu irmão) e Joana Vieira Sandes.

ANTÔNIO VIEIRA SANDES

Filho de João Vieira Sandes e Dona Leonor, se casou no povoado Boqueirão em Água Branca, com Luiza Vieira Sandes. Deste casal, nasceram 13 filhos: João Vieira Sandes (neto), Luiz Vieira Sandes Luna, Antônio Vieira Sandes (filho), Jacinto Vieira Sandes, Francisco Vieira Sandes, Serafim Vieira Sandes, Pedro Vieira Sandes, André Vieira Sandes, Vitor Vieira Sandes, Maria Vieira Sandes, Joaquina Vieira Sandes (primeira esposa do Barão), Joana Vieira Sandes (segunda esposa do Barão e que se tornou Baronesa), e Manoel Vieira Sandes.

FRANCISCO VIEIRA SANDES

Açoriano casado com Mariana Gonçalves Casado. Veio do Arquipélago de Açores provavelmente em 1700 e viveu por muitos anos em Itiúba, próximo a Porto Real do Colégio (AL), na margem do Rio São Francisco. Desse casal, nasceu o Major Francisco Gonçalves Casado, homem de boa fé cristã.

MAJOR FRANCISCO GONÇALVES CASADO

Se casou com Maria de Barros Vieira, filha de Antônio Vieira Sandes e Maria de Barros Bezerra. Do primeiro casal, nasceu a filha Anacleta Gonçalves que, posteriormente, veio a se casar com o sargento Antônio Soares de Mello. Dessa união, nasceu o tenente-coronel Manoel Severo Soares de Mello, que se casou pela primeira vez com Maria Vieira Barros.

PEDRO JOSÉ DE SIQUEIRA

Bisavô do Barão, imigrante português, se casou com a brasileira Clara Alves Torres (bisavó do Barão), com quem teve o filho Manoel de Siqueira Torres, brasileiro (avô do Barão). Este se casou duas vezes: a primeira, com Anna Maria Francisca da Costa Barros (avó do Barão), filha de português Júlio da Costa Barros, que morava em Inhamuns, no Ceará. Desse casal, nasceu Theotônio Vitoriano de Siqueira Torres (pai do Barão) e seu irmão Estevão de Siqueira Torres.

O segundo casamento de Manoel de Siqueira Torres foi com Anna Maria de Jesus, no dia 18 de novembro de 1789. Desse casal, nasceram mais seis filhos. Manoel de Siqueira Torres foi furriel da Cavalaria Nova da Cidade de Olinda e diretor dos índios da vila de Cimbres desde 1774, tendo 54 anos, presumíveis por nomeação do governador da Província de Pernambuco, nessa época o capitão-general José Cezar de Menezes.

THEOTÔNIO VITORIANO DE SIQUEIRA TORRES

Nascido no povoado Cimbres, município de Pesqueira, em Pernambuco, vindo à Água Branca a negócios, conheceu a jovem Gertrudes Maria da Trindade, que é filha de Faustino Vieira Sandes (filho), com quem se casou e teve 10 filhos: Theotônio de Siqueira Torres (filho), Vigário Miguel Archanjo Torres, padre Alexandre de Siqueira Torres, João Alves de Siqueira Torres, Joaquim Antônio de Siqueira Torres (Barão de Água Branca), Faustina de Siqueira Torres, Francisca de Siqueira Torres, Maria da Conceição de Siqueira Torres, Gertrudes de Siqueira Torres e Engrácia de Siqueira Torres.

MIGUEL ARCHANJO TORRES

Irmão do Barão de Água Branca, filho de Gertrudes Maria da Trindade e Vitoriano de Siqueira Torres, nasceu em 1811, foi batizado na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição em Água Branca. Foi para o Seminário Diocesano de Olinda, em Pernambuco, e lá se dedicou aos estudos de Filosofia e Teologia. Ordenado padre e assumindo sua missão religiosa, o bispo de Olinda nomeou como vigário, transferindo em 02 de maio de 1845, para a freguesia de Santo Antônio da Manga, hoje cidade de Paracatu (MG), onde realizou relevantes serviços sociais, permanecendo em suas funções religiosas até o ano de 1885. O vigário Miguel Torres faleceu aos 87 anos, vítima de uma doença cerebral, no dia 30 de novembro de 1898.

ULYSSES VIEIRA DE ARAÚJO LUNA

Foi um poderoso coronel, latifundiário, fazendeiro, intendente,  deputado estadual, senador estadual e chefe político de Água Branca administrando por 14 anos seguidos. Participou do Partido Conservador durante a vigência da Monarquia. Era filho de Luiz Vieira Sandes Luna, irmão da Baronesa, que logo cedo perdeu seus pais e, por orientação do Barão de Água Branca, começou a valorizar a educação de seus filhos, trazendo de Maceió três professoras que lhe deram ensinamentos necessários para se tornassem pessoas instruídas. Dois de seus filhos casaram-se com duas das professoras. Considerado o colonizador do sertão, se casou quatro vezes. Por ele ser um coronel e por ser temido na região, fazia reuniões políticas no casarão situado no povoado Cobra. O lugar nunca foi invadido pelos cangaceiros ou por Lampião. Em frente ao casarão, há uma estrada que era passagem obrigatória dos colonos da época. Nas propriedades do Coronel Ulisses Luna, era produzida cana e também havia criação de gado e de ovelhas.

Em 1902, a pedidos do Governador de Alagoas, Euclides Vieira Malta, abrigou em sua Fazenda no povoado Cobra, Delmiro Augusto da Cruz Gouveia que chegou fugido de Recife (PE) após ter criado desavenças políticas e comerciais com os pernambucanos, principalmente por ter se envolvido com Carmélia Eulina, filha do governador de Pernambuco, Segismundo Gonçalves. Delmiro e Carmélia Eulina. O casal ficou hospedado durante meses na fazenda.

O Coronel Ulysses Luna teve 18 filhos dos seus quatro casamentos. Dentre os filhos, se destaca o Dr. Ulisses Luna Júnior. Deixou grande contribuição como médico, e sua marca importante como Prefeito do Município de Delmiro Gouveia de 1961 a 1966, dando início ao saneamento da cidade, utilizando o seu próprio salário para minimizar os problemas causados pela falta de saneamento. Foi durante muito tempo o Médico da Fábrica cuidando de seus operários e funcionários com dedicação e com o seu jeito peculiar de ser e de agir. Para completar a sua história brilhante e significativa para a cidade, foi afilhado de Delmiro Augusto da Cruz Gouveia.

Fonte: historiador Edvaldo Araújo Feitosa em seu livro “Água Branca: história e memória”, 2015. Museu Imperial – Instituto Brasileiro de Museus. Almanak da Provincia das Alagoas (AL) – 1873 a 1880. Almanak do Estado das Alagoas (AL) – 1891 a 1894. Almanak Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial (RJ) – 1891 a 1940. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). História de Alagoas – Edberto Ticianeli. Terra das Alagôas – Adalberto Marroquim. Perfil municipal de Água Branca – Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico, 2014. Arquivo da Casa da Baronesa. Instrução de Tombamento Núcleos Urbanos – Secretaria Municipal de Juventude, Cultura, Turismo e Desportos de Água Branca.
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